
Mesmo diante das incertezas que marcam o comércio internacional em 2026, com discussões sobre tarifas, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e novos movimentos das principais economias mundiais, a região de São João da Boa Vista mantém a trajetória positiva nas exportações. Dados do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp apontam que os 20 municípios da Diretoria Regional do Ciesp exportaram, juntos, US$ 354,2 milhões entre janeiro e maio deste ano, crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações alcançaram US$ 92 milhões, resultando em um superávit comercial de US$ 262,2 milhões.
Os principais produtos exportados continuam fortemente ligados ao agronegócio e à indústria de alimentos. Café, chá, mate e especiarias responderam por 57,2% das exportações, seguidos por preparações alimentícias diversas (20,8%) e animais vivos (4,2%). E as importações concentraram-se principalmente em máquinas e equipamentos mecânicos, leite e laticínios e produtos plásticos. Entre os principais mercados compradores dos produtos da região estão Alemanha, Itália e Rússia. Do lado das importações, China, Estados Unidos e Suíça aparecem como os principais fornecedores.

Para o vice-diretor do Ciesp São João da Boa Vista, Adriano Alvarez, os números refletem a capacidade de adaptação das empresas diante de um cenário internacional cada vez mais dinâmico. “Estamos acompanhando uma reorganização importante do comércio mundial. As discussões tarifárias envolvendo os Estados Unidos, as mudanças nas rotas logísticas e a busca das empresas por novos mercados criam desafios, mas também oportunidades. Na nossa região, por exemplo, temos observado um volume expressivo de operações ligadas à BYD, que vem assumindo custos logísticos elevados, com fretes marítimos superiores a US$ 8 mil por contêiner. Isso mostra que as empresas continuam apostando no mercado brasileiro e na capacidade produtiva nacional. Por outro lado, esse alto custo dos contêineres traz preocupação a muitos exportadores, então também merece atenção”, analisa.
Segundo Alvarez, medidas recentes também podem contribuir para fortalecer a competitividade das empresas brasileiras. “No cenário interno, existem iniciativas positivas, como os incentivos voltados ao setor agrícola e o Plano Brasil Soberano, que tende a ampliar as condições para investimentos e competitividade. Para as indústrias da nossa região, isso representa uma oportunidade de ampliar mercados, investir em tecnologia e fortalecer sua presença tanto no mercado interno quanto no exterior”, ressaltou.
Os resultados mostram que, mesmo diante das turbulências do comércio internacional, a região mantém presença competitiva no mercado externo, sustentada pela diversificação de sua produção e pela capacidade de atender diferentes mercados ao redor do mundo.


Desempenho local
Responsável por pouco mais da metade das exportações da região, Espírito Santo do Pinhal exportou US$ 178,1 milhões nos cinco primeiros meses do ano, avanço considerável em relação aos US$ 100 milhões registrados no mesmo período de 2025. Com importações de US$ 9,8 milhões, o município acumulou superávit de cerca de US$ 168,3 milhões.
Os produtos pinhalenses chegaram a dezenas de mercados espalhados pela Europa, Ásia, Américas e África, com destaque para países como Rússia, Itália, Estados Unidos, Vietnã, Espanha, Colômbia e Alemanha. O município se destaca, sobretudo, pela produção de café, responsável por 56,2% do total exportado, e extratos, essências e concentrados de café, chá ou de mate e preparações à base destes produtos, que respondem por 39,1%.
São José do Rio Pardo registrou exportações de US$ 97,3 milhões entre janeiro e maio, o segundo maior resultado da regional do Ciesp. As importações somaram US$ 11,3 milhões, garantindo um superávit comercial de aproximadamente US$ 86 milhões. Os embarques do município foram compostos principalmente por sacas de café, responsáveis por 94% das exportações, e tiveram como destino mercados como Alemanha, Itália, Suécia, Países Baixos (Holanda), Estados Unidos, Noruega, Argentina, França, Rússia e Turquia, entre outros.
São João da Boa Vista exportou US$ 25,1 milhões entre janeiro e maio deste ano e registrou superávit comercial de aproximadamente US$ 17,9 milhões no período. A pauta exportadora de São João combina produtos industriais e agroindustriais. Os principais embarques foram de corindo artificial, óxido e hidróxido de alumínio (insumos minerais para a indústria), que lideraram a pauta exportadora do município, com 47,4%, além de café, que corresponde a 25,1% das exportações. A lista inclui ainda máquinas agrícolas, componentes mecânicos, peças industriais, produtos químicos, artigos de confecção e equipamentos de alta tecnologia, demonstrando a diversidade da base produtiva sanjoanense. Os embarques alcançaram dezenas de mercados internacionais, incluindo Bélgica, Alemanha, Países Baixos (Holanda), Luxemburgo, Áustria, Reino Unido, Itália, Polônia, Argentina, Espanha e Estados Unidos.
Santa Cruz das Palmeiras exportou US$ 17,1 milhões nos cinco primeiros meses do ano e importou US$ 11,7 milhões, registrando superávit comercial de aproximadamente US$ 5,4 milhões. Apesar de o resultado exportador ter ficado abaixo dos US$ 22,1 milhões registrados em igual período de 2025, o município manteve forte presença internacional, com embarques destinados a países como Peru, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile. A lista de exportações inclui animais vivos (galos, galinhas, patos, gansos, perus, peruas e galinhas-d’angola), que respondem por 87,1% das exportações, e ovos (12,9%).
Mococa exportou US$ 6,8 milhões entre janeiro e maio e importou US$ 5,5 milhões, alcançando superávit comercial de aproximadamente US$ 1,3 milhão. O café é o principal produto embarcado (33,8%), seguido de ferro (25%) e extratos de malte (17,6%). Os produtos mocoquenses chegaram a mercados como México, Estados Unidos, Venezuela, Chile, França, Uruguai, Argentina e Japão, reforçando a diversificação geográfica das exportações do município.
Santa Rosa de Viterbo exportou US$ 5,9 milhões no acumulado do ano. Já as importações alcançaram US$ 7,8 milhões, resultando em déficit comercial de cerca de US$ 1,9 milhão. Insumos químicos para a indústria correspondem a 94,9% dos produtos do município que tiveram como destino mercados como Argentina, Uruguai, México, Indonésia, África do Sul, Chile e Irlanda, evidenciando a diversificação dos mercados compradores.
Aguaí exportou US$ 2,4 milhões entre janeiro e maio, mas registrou importações de US$ 27,4 milhões, o maior volume importado da regional. Com isso, o município apresentou déficit comercial de aproximadamente US$ 25 milhões. As compras externas cresceram significativamente em relação ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 13,6 milhões. A cidade exporta, principalmente, móveis (50%), frutas (16,7%), painéis para distribuição de energia (12,5%) e plástico (12,5%), com destino ao México, Estados Unidos, Chile, Espanha e França.
Casa Branca exportou US$ 1,5 milhão entre janeiro e maio e importou US$ 4,2 milhões, acumulando déficit comercial de aproximadamente US$ 2,7 milhões. Em comparação com 2025, houve redução tanto nas exportações quanto nas importações. A cidade exportou basicamente borracha (66,7%) e sacos para embalagem (26,7%). Os negócios internacionais do município tiveram como destinos Argentina, Paraguai e Estados Unidos.
Vargem Grande do Sul registrou exportações de US$ 400 mil nos cinco primeiros meses do ano, frente a importações de US$ 2,9 milhões. O município apresentou déficit comercial de aproximadamente US$ 2,5 milhões, embora tenha ampliado suas exportações em relação ao mesmo período de 2025, quando elas somaram cerca de US$ 100 mil. A cidade exporta café (50%) e bombas para líquidos (25%). A Argentina é o principal mercado comprador dos produtos exportados pelo município.
Por Suzana Amyuni/Assessora de Imprensa CIESP









