
Uma ação do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil resultou na prisão em flagrante de um homem por crime ambiental e maus-tratos a animais no bairro Maria Boaro, em São José do Rio Pardo. A ação, batizada de Operação Alçapão, tinha como objetivo inicial o cumprimento de um mandado de busca e apreensão de uma arma de fogo, mas acabou revelando um cenário desolador de negligência contra a fauna silvestre e doméstica.
Os agentes do SIG deslocaram-se até a residência do suspeito para cumprir uma ordem judicial expedida pela Comarca de São José do Rio Pardo. A investigação buscava localizar uma arma de fogo supostamente utilizada para ameaçar uma vítima.
Embora o armamento não tenha sido encontrado no imóvel, a vistoria no quintal e no interior da residência revelou uma realidade chocante que mudou completamente o rumo da diligência.


O Cenário de Horror: Fome, Sede e Morte
No local, os policiais civis constataram a existência de um verdadeiro cativeiro clandestino composto por 64 gaiolas. Em sete delas, os agentes conseguiram resgatar com vida:
- 01 Patativa
- 01 Canário-da-terra
- 03 Coleirinhas
- 01 Canário-do-reino
- 01 Azulão
Todos os pássaros apresentavam sinais evidentes de debilidade, mantidos em locais insalubres, sem higiene ou ventilação adequada.
O cenário mais sombrio, no entanto, estava nas outras 57 gaiolas acumuladas: em três delas, os policiais encontraram pássaros já mortos (um coleirinha e dois canários-do-reino), vítimas de fome e abandono. Além das aves, um cachorro de pequeno porte e um coelho também foram resgatados em condições deploráveis.
A Versão do Suspeito: Confrontado pelos policiais, o morador tentou esquivar-se da culpa alegando informalmente que os animais pertenciam ao seu sogro, que compareceu ao local durante a ação policial.


Resgate, Laudo Veterinário e Prisão
Para viabilizar o manejo seguro e a retirada emergencial dos animais, a Guarda Civil Municipal (GCM) prestou apoio imediato. Um médico veterinário foi acionado e emitiu um laudo oficial confirmando o estado crítico de maus-tratos.
O cachorro foi encaminhado a uma clínica veterinária parceira para receber cuidados intensivos.
As aves sobreviventes foram apreendidas e direcionadas ao setor de Bem-Estar Animal do município para triagem, reabilitação e futura soltura ou destinação adequada.
Diante dos fatos, os policiais do SIG deram voz de prisão ao morador. Ele foi autuado em concurso material pelos seguintes crimes da Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais): Artigo 29, §1º, III: Manter em cativeiro espécimes da fauna silvestre sem autorização e Artigo 32 – Praticar ato de abuso e maus-tratos a animais domésticos e silvestres.
O autuado foi conduzido à Delegacia de Polícia e, após as formalidades legais, encaminhado à Cadeia Pública da região, onde permanece à disposição da Justiça.

Fotos: Polícia Civil







