
Foi condenado a 26 anos de prisão, em regime fechado, Everson Lucas dos Santos, acusado de matar a facadas a ex-companheira, Camila Sarrassini Goulart, de 35 anos. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (30), no Fórum de Guaxupé, e durou cerca de oito horas, terminando às 17h30.
O crime aconteceu em 13 de novembro de 2023, dentro da casa da vítima, no bairro Jardim São Domingos. Segundo a investigação, Santos, então com 32 anos, invadiu a residência após pular o muro, pegou uma faca na cozinha e atacou Camila no pescoço com seis golpes. A perícia concluiu que a vítima não teve chance de defesa e poderia estar dormindo no momento do ataque.
O Conselho de Sentença reconheceu as três qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

Versões apresentadas
Durante a manhã, investigadores da Polícia Civil reforçaram a tese de que não houve luta corporal. Vestígios de sangue encontrados da sala até a cozinha, além da faca lavada no escorredor de pratos, sustentaram a acusação de que o crime foi cometido de forma repentina e sem reação da vítima.
O promotor de Justiça, Dr. Thales Cequeira, afirmou ao júri que a motivação do crime foi a recusa de Camila em reatar o relacionamento, encerrado três meses antes. “Por motivo torpe, completamente repudiável pela sociedade, ele foi com a intenção de matar”, disse.
O advogado assistente de acusação, Dr. Alisson Bueno, destacou que a dinâmica do crime não corroborava a versão do réu, que alegou ter agido após uma discussão. “Para a versão dele ser verdadeira, precisaria ser canhoto. Ele saiu do serviço porque sabia que ela estava sozinha”, argumentou.


Já a defesa, conduzida por uma banca defensiva, pediu a retirada das qualificadoras. Alegou que houve discussão dentro da casa, que Camila teria aberto a porta voluntariamente e que o acusado não foi ao local para matar, mas para tentar reatar.
Também levantou contradições nos depoimentos e questionou a ausência de provas como exame toxicológico e interceptações telefônicas.

Prisão e julgamento
Após o crime, Santos se apresentou à polícia acompanhado de um advogado. Ele confessou as facadas, mas disse ter desferido apenas duas. A perícia, entretanto, confirmou seis golpes, sendo três deles considerados mortais. Desde então, permaneceu preso preventivamente.
O júri popular foi formado por sete jurados (quatro mulheres e três homens) sorteados entre 25 convocados.

Ao final, o Conselho de Sentença acolheu a tese da acusação. Santos foi condenado a 26 anos de reclusão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado.
Fonte: Noticiantes Sul de Minas – Foto: Lucas Araujo












