Mandados foram cumpridos em São João da Boa Vista e outras três cidades; grupo utilizava técnica de “smurfing” para ocultar valores milionários.
Uma megaoperação da Polícia Civil, deflagrada na manhã desta terça-feira (13), atingiu em cheio uma organização criminosa que operava há décadas no interior paulista e no sul de Minas Gerais. Com foco na exploração de jogos de azar e lavagem de capitais, a ação, denominada “Quebrando a Banca”, cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro cidades, incluindo São João da Boa Vista.


O Alvo em São João da Boa Vista e Região
A ofensiva, coordenada pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, concentrou esforços em Ribeirão Preto, Santa Rosa de Viterbo, São João da Boa Vista e na capital paulista. Durante as buscas, as equipes apreenderam:
- Veículos de luxo;
- Grandes quantias em dinheiro em espécie;
- Dispositivos eletrônicos e materiais de apostas.


O Esquema: “Smurfing” e Empresas de Fachada
A investigação revelou uma estrutura profissional de lavagem de dinheiro. O grupo utilizava a técnica conhecida como “smurfing”, que consiste em pulverizar grandes quantias por meio de inúmeros depósitos e transferências de pequenos valores para evitar o alerta das autoridades financeiras.
Para garantir que o dinheiro oriundo do jogo ilegal parecesse lícito, a quadrilha utilizava:
- ”Laranjas”: Pessoas que cediam nomes para contas bancárias e bens.
- Empresas de Fachada: Estabelecimentos que serviam apenas para o trânsito bancário dos valores.
- Transações Imobiliárias: Compra de imóveis com pagamento em dinheiro vivo.
Movimentação “Estratosférica”
Os relatórios de inteligência da Polícia Civil apontaram disparidades brutais entre a realidade financeira dos envolvidos e suas declarações de renda. O líder da organização, cujo nome não foi revelado, chegou a movimentar R$ 25 milhões em apenas seis meses no ano de 2024. No total acumulado investigado, o grupo movimentou cerca de R$ 97 milhões.


Próximos Passos
Ao menos oito integrantes da cúpula da organização, além do braço empresarial, são alvos desta fase da operação. Embora não tenham sido confirmadas prisões até o momento, os investigados devem responder por:
- Associação Criminosa;
- Lavagem ou ocultação de bens;
- Exploração de jogos de azar.
Todo o material apreendido em São João da Boa Vista e demais cidades foi encaminhado à Deic para análise pericial, o que deve desencadear novas etapas da investigação.

Informações: G1 São Carlos/Fotos: Polícia Civil









